Sunday, February 17, 2008
Pinha, pinhão, crime organizado e departamento de investigação e acção penal
Um quilograma de pinha vale cerca de 70 cêntimos com a frequência necessária para atrair amigos do alheio a qualquer local onde existam pinheiros mansos com pinhas de boa qualidade. O pinhão é um negócio lucrativo e há uma rede de pessoas que pode beneficiar extremamente desse negócio se souber encontrar locais suficientemente isolados de populações humanas, de tal maneira que a probabilidade de ser possível qualquer cruzamento com um denunciante é baixa. Sem dúvida que esta prática criminosa está suficientemente organizada pois, de facto, para o ladrão de pinha, ou para o seu mandante, colher pinha é ir buscar dinheiro que nasce nas árvores. Contudo, há casos em que o ladrão se deixa surpreender. Encontrar um local onde seja improvável que passe gente, faz também com que o ladrão tenda a desleixar-se e, como no caso que refiro, se deixe apanhar sem sequer suspeitar que tal seja possível. Ficar no topo dum alto pinheiro pode ser suficiente para passar despercebido e, quando quase não passa gente, difícil é acreditar que, naquele preciso momento, possa passar um dono da pinha. Mas, no caso referido, foi o que aconteceu. O departamento de investigação e acção penal está já na linha do ladrão, ao que consta com excelentes resultados, deixando os donos de pinha pensar que vale a pena pedir ajuda, através da denúncia, e que só assim se poderá reduzir a probabilidade de que esta gente, tão amiga da pinha alheia, se sinta à vontade para causar prejuízos e prosseguir resguardada, apenas, pela imensidão de hectares que por vezes medeiam entre esses pinheiros e os agregados populacionais mais próximos, em especial num ainda existente profundíssimo e isoladíssimo Alentejo de grande latifúndio.
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
No comments:
Post a Comment