Tuesday, October 23, 2007

Associação Nacional de Subericultores

Não existe em Portugal uma Associação Nacional de Subericultores. Apesar do significado económico e ecológico da Subericultura portuguesa ser enorme, e da Subericultura dispôr de uma característica temporal de retorno do investimento que a distingue totalmente das restantes actividades silvícolas (semear um sobreiro pode significar esperar 50 anos para ter cortiça de primeira), apenas temos, no panorama de oferta das Associações de Produtores Florestais, a possibilidade de encontrar quem nos apoie e aconselhe no seio de contextos silvícolas generalistas, mesmo quando se sabe que a tendência maior é suberícola. Quer isto dizer que, no infinito jogo de equilíbrios entre grupos de produtores e grupos de transformadores, não é possível encontrar uma entidade que se entregue em exclusivo à questão suberícola. O desequilíbrio fica naturalmente perpetuado já que existe uma associação de transformadores de cortiça. A conhecida APCOR, com dominada presença do grupo Amorim, pode agir livremente a favor dos interesses daqueles que compram a cortiça para lhe acrescentar o valor da transformação. É sabido que estes costumam ficar com a maior fatia do rendimento, e este desequilíbrio parece difícil de evitar já que de entre os inúmeros subericultores existem muitos que, sem uma acção concertada, visando impedir o abaixamento do preço do seu produto, não podem mais do que ceder às pressões dos intermediários que, conhecedores das características de um qualquer subericultor menos habilitado, sempre tentam levar cortiça ao preço da chuva. Consta que em famílias desavindas há décadas que não sai cortiça das suas árvores e que, com subericultores recentemente abonados por herança houve venda a preços próximos de 3 Euros a arroba... isto sabendo-se que é quase impossível encontrar cortiça que valha menos de 15 Euros a arroba, com despesas por parte do comprador. Não há dúvida nenhuma de que seria muito importante criar um organismo de e para a Subericultura. Foi recentemente criada uma equipa para este tema na Assembleia da República, esperemos que um dia exista um número de subericultores capazes de unir esforços para evitar que muitos subericultores menos preparados sejam abusados por intermediários. Algo que só com união se evita, visando fixar limites mínimos para preços de mercado que são controláveis apenas pela associação de interessados. Negócio sempre conhecido por ser tendencialmente enublado, precisa sair da sombra, a bem daqueles para os quais o segredo não é a alma do negócio, isto é, a bem daqueles que não pertencem aos grupos habituais de profissionais do rendimento daquela que foi chamada, muito propriamente, de Ouro Castanho.

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