Thursday, October 25, 2007

Vila Viçosa

Vila Viçosa é uma das mais belas localidades portuguesas. Conhecida pelo seu património, nomeadamente o Paço Ducal, Vila Viçosa teve também o mérito de despoletar uma hipótese de interpretação de textos anteriores que, por ser uma hipótese perigosa, convem explicar: O grande latifúndio suberícola, se bem que detentor de maior poder, não é o causador sócio-económico do impacto económico e ecológico que o destratar dos sobreiros está tendo. Poder-se-ia pensar que haveria por detrás de alguns dos textos anteriores a tentativa velada de acusar o grande latifúndio de apocalíptico suberícola. Nisso me fez pensar Vila Viçosa. Mas não. É ao pequeno latifúndio que se dirigem semelhantes asserções. Ao pequeno latifúndio dos avos (avos (não avós ou avôs) enquanto fracções), que torna a administração suberícola quase impossível. A subericultura é extensiva e exige grandes áreas. Se criarmos um exemplo de 100 hectares com 10 comproprietários onde alguns detêm quotas que significam áreas semelhantes às de hortas, podemos imaginar que basta que um queira dificultar e todos os outros passarão tempo demais às voltas com burocracias e advocacias. É esta divisão da propriedade suberícola que pode criar condições para uma administração laxista, enquadrável em textos anteriores. Infelizmente nenhuma Lei obriga a que um proprietário suberícola conheça o mínimo desta actividade, e isto é meio caminho andado para que ancestrais sobreiros morram sem deixar descendência. De notar que o Montado ou o Sobreiral extreme são sistemas artificiais. Logo uma gestão menos criteriosa encaminha-os, inexoravelmente, para a extinção, já que qualquer acção de sobrecarga, como o pastoreio (exemplo: mais de 0,2 bovinos por hectare), podas para produção de lenha, ou o simples aproveitamento do sobcoberto com mobilização do solo, pode, não falando de pragas e doenças, ser o acesso para a entrada do deserto.

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