Friday, October 19, 2007

Esclavagismo Suberícola

É meu interesse pôr em evidência a associação (que da minha experiência resulta evidente) entre a falta de solidariedade transgeracional existente no interior de algumas famílias proprietárias de sobreiros e a decrepitude e falência de muitos sobreiros portugueses. Isto e a ignorância de muitos produtores de cortiça, que se comportam como exploradores esclavagistas do sobreiral, deve ser combatido com a máxima censura social que se possa reunir em torno deste tema. O negócio da cortiça, na fase de produção, que vou conhecendo cada vez melhor, deve ser retirado detrás da "grossa" penumbra em que se encontra, de maneira que os reais causadores do problema sejam corrigidos. E esses, no meu entender, sãos aquela fracção dos proprietários, que, por serem ignorantes das questões económicas e ecológicas, permitem aos intermediários grandes lucros, às custas dos baixos preços a que os primeiros vendem a cortiça, com a agravante de que, os segundos, arrancam a cortiça de qualquer maneira, sem consideração por outra coisa que não seja o seu lucro, o que se torna fácil de atingir devido à ausência do proprietário do campo e da confiança que o primeiro deposita no segundo, esquecendo o péssimo impacto que o destratar dos sobreiros terá na sua perpetuidade e rendimento ecológico e económico futuro.
Insto com toda a minha força todos os menos informados proprietários de sobreiros, seus familiares e amigos, a associarem-se a mim nesta luta, que visa evitar que os nossos bisnetos não possam usufruir do legado pelos nossos bisavós, que hoje poder-nos-iam ver afundados em vidas que, por estarem alheadas do campo, não nos permitem mais do que ser pasto dos abutres do negócio suberícola, enquanto tentamos pedir ajuda a associações de produtores florestais de toda a natureza, cuja especialidade científica é disponibilizada apenas aos que pertencem aos lobbies locais de produtores, donde pouco mais sai do que perguntas que visam certificarem-se de que vamos depauperadamente progredindo para um futuro que, idealizado por esses, seria, certamente, a venda por uma bagatela, preferencialmente em hasta pública, das nossas, por esse tempo paupérrimas e inadministráveis, propriedades.

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